quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

BONECOS DE ESTREMOZ - Proclamados Património Cultural Imaterial da Humanidade


Da esquerda para a direita: Luís Mourinha (Presidente da Câmara Municipal de Estremoz),
 Manuel António Gonçalves de Jesus (Embaixador de Portugal na República da Coreia),
António Ceia da Silva (Presidente do Turismo do Alentejo) e Hugo Guerreiro (Director do
 Museu Municipal e autor da Candidatura). Fotografia reproduzida com a devida vénia,
a partir do Facebook de António Ceia da Silva.

Como era expectável, a inscrição da "Produção de Figurado em Barro de Estremoz" na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, foi aprovada no decurso da 12.ª Reunião do Comité Intergovernamental da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que entre 4 e 9 de Dezembro decorreu no Centro Internacional de Convenções Jeju, na ilha de Jeju, na República da Coreia.
Reconhecimento planetário
A inscrição do figurado de barro de Estremoz na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, é o reconhecimento planetário do labor e criatividade dos barristas do passado e do presente, que com as suas mãos mágicas e desde as bonequeiras de setecentos, transmitiram de geração em geração e até à actualidade, uma manufactura “sui generis” de figurado de barro, dita ao “modo de Estremoz”. Todavia, cabe também aqui denunciar aqueles que numa atitude minimalista, centram exclusivamente o mérito da classificação dos bonecos de Estremoz pela UNESCO nos artesãos, o que não é correcto, nem tão pouco justo. O merecimento da classificação é similarmente e com grande peso específico, o reconhecimento do mérito visionário do escultor José Maria de Sá Lemos (1892-1971), director nos anos 30-40 do século passado, da Escola Industrial António Augusto Gonçalves, de Estremoz. Foi ele que com a sua reconhecida perseverança, recorrendo a ti Ana das Peles [Ana Rita da Silva (1870-1945)] primeiro e a Mariano da Conceição (1903-1959) depois, deu um contributo decisivo para a revitalização da manufactura dos bonecos de Estremoz, então praticamente extinta. Sem ele não existiriam hoje bonecos de Estremoz.
Por outro lado, tal inscrição não seria possível sem o esforço de estudiosos, investigadores, escritores e publicistas que não deixaram morrer a memória dos bonecos de Estremoz. Cito de uma forma simplificada: Luís Chaves, D. Sebastião Pessanha, Virgílio Correia, Azinhal Abelho, Solange Parvaux, Joaquim Vermelho e outros.
O mérito da classificação pela UNESCO cabe ainda a coleccionadores, dos quais o mais destacado é Júlio dos Reis Pereira, que ao longo de décadas foram reunindo, catalogando, estudando, comparando e interpretando espécimes, que viabilizaram a apresentação de uma candidatura pelo Município de Estremoz.
O mérito da classificação cabe igualmente e isso é muito importante, ao director do Museu Municipal de Estremoz, Hugo Guerreiro, que despoletou e argumentou a candidatura, a qual veio a ter êxito e que corresponde ao primeiro figurado do mundo a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade.
Consequências da inscrição
A inscrição da "Produção de Figurado em Barro de Estremoz" na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, permitirá que os bonecos de Estremoz possam ser portadores de um selo certificador dessa condição. Para além disso, a cidade de Estremoz passará a integrar a rota do Património Cultural Imaterial da Humanidade. Daqui resultará um previsível incremento do turismo cultural, com reflexos importantes em termos da economia local.
Delegação portuguesa na Coreia
A delegação portuguesa que viajou até à Coreia em apoio da candidatura portuguesa foi numerosa e incluiu: - EMBAIXADOR DE PORTUGAL NA REPÚBLICA da COREIA: Manuel António Gonçalves de Jesus; - DELEGAÇÃO ESTREMOCENSE: Luís Mourinha (Presidente da Câmara Municipal), Maria Helena Mourinha (Coordenadora da Biblioteca Municipal), Nuno Rato (Presidente da Assembleia Municipal), António Serrano (Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara), Sílvia Dias (Vereadora da Câmara Municipal), Márcia Oliveira (Vereadora da Câmara Municipal), Amélia Frazão Moreira (Antropóloga, Investigadora do CRIA [Centro em Rede de Investigação em Antropologia] da Universidade Nova de Lisboa. Áreas de Investigação: Antropologia, Antropologia do Ambiente, Etnobotânica / Etnobiologia / Etnoecologia e Contextos Africanos. Membro do Órgão de Avaliação da Convenção da Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO, para os ciclos de 2015 a 2018), Hugo Guerreiro (Director do Museu Municipal e autor da Candidatura), Jorge Conceição Palmela (Artesão) e Perpétua Sousa (Artesã); - DELEGAÇÃO DO TURISMO DO ALENTEJO: Presidente (António Ceia da Silva), Técnicos de Turismo (Felício Florentino, Leonor Nobre, Maria Ricardo, Raul Pereira e Vítor Silva) e jornalistas: LUSA (Hugo Teixeira), RTP (Ismael Pratas e Paulo Nobre), SIC (Hugo Milhinhos) e TVI (Carla Correia e Rui Rocha).
Património cultural imaterial português reconhecido pela UNESCO
A Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade regista até ao presente, as seguintes inscrições portuguesas: - 2011 - FADO; - 2013 - DIETA MEDITERRÂNICA (envolvendo Chipre, Croácia, Espanha, Grécia, Itália e Portugal); - 2014 - CANTE ALENTEJANO; - 2016 - FALCOARIA, UMA HERANÇA HUMANA VIVA (envolvendo Emiratos Árabes Unidos, Áustria, Bélgica, República Checa, França, Alemanha, Hungria, Itália, Cazaquistão, República da Coreia, Mongólia, Marrocos, Paquistão, Portugal, Qatar, Arábia Saudita, Espanha e República Árabe da Síria); 2017 - PRODUÇÃO DE FIGURADO EM BARRO DE ESTREMOZ.
Por sua vez, a Lista de Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente arrola até à actualidade, as seguintes inscrições portuguesas: - 2015 - FABRICO DE CHOCALHOS; - 2016 - FABRICO DA CERÂMICA NEGRA DE BISALHÃES.