sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Começou o Outono


José Malhoa (1855-1933).
Óleo sobre tela (46 cm x 38 cm).
Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa.


O Outono (do latim autummus) é uma das quatro estações das zonas temperadas, compreendida entre o Verão e o Inverno, que corresponde aos meses de Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro no Hemisfério Norte. Caracteriza-se por um declínio gradual da temperatura e é marcada por tempo chuvoso, ventoso e pouco ensolarado.
Sob o ponto de vista astronómico, no Hemisfério Norte, o Outono boreal vai desde o equinócio de Outono (a 22 ou 23 de Setembro e excepcionalmente 21 ou 24 de Setembro), ao solstício de Inverno (a 21 ou 22 de Dezembro). No Hemisfério Sul, o mesmo período corresponde à Primavera e o Outono austral começa em 20 ou 21 de Março e termina a 20 ou 21 de Junho.
No Outono, as árvores de folha caduca preparam-se para passar ao estado de dormência no Inverno, constituindo reservas a serem utilizadas na produção de botões para a subida da seiva na Primavera. Perdem assim as folhas finas e flexíveis que poderiam congelar, o que as tornaria não funcionais. A árvore recupera substâncias úteis presentes nas folhas, armazena-as e/ou recicla-as a fim de as reutilizar no início da Primavera. As folhas perdem a clorofila, substância responsável pela cor verde, adquirindo a cor de outros pigmentos presentes anteriormente, mas ocultos devido à presença da clorofila. Colorem-se então de amarelo devido à presença de carotenóides ou até mesmo de vermelho devida à presença de antocianinas.
No Hemisfério Norte, o Outono é a época das colheitas, especialmente culturas de Verão: milho, girassol, etc. e todos os tipos de frutos: maçãs, peras, marmelos, etc., frutas secas: castanhas, nozes, avelãs, etc., e uvas. É também o período das lavras.
No adagiário português, a presença implícita do Outono é vasta, já que engloba adágios relativos aos meses de Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro. Todavia, a sua presença explícita é muito escassa, já que apenas localizámos a existência de quatro adágios relativos ao Outono:
- Logo que o Outono venha, procura a lenha.
- No Outono o Sol tem sono.
- Quem planta no Outono, leva um ano de abono.
- Um dia de Outono vale por dois de Primavera.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O termómetro da Singer



No pino do Verão quando se fazia sentir a canícula, o edifício da antiga Singer no Rossio Marquês de Pombal em Estremoz, era ponto de passagem e de paragem obrigatória. É que na frontaria do rés-do-chão existia um termómetro de razoáveis dimensões, que permitia aos transeuntes avaliar a temperatura do ar. Estava ali há muito tempo. Pelo menos desde o Tempo da Outra Senhora.
Era um termómetro “SINGER SEWING MACHINES”, com dupla escala, Celsius e Fahrenheit, o qual apesar de ser um termómetro privado, prestava um serviço público.
Era um termómetro bem-pensante e que falava com as suas escalas, dizendo coisas do tipo:
- “Isto hoje é só a subir. Vão ver que vamos ter um corrupio de gente a olhar para nós!”
- “Aquele está a ler mal a temperatura. Esqueceu-se que está mais baixo e está a cometer um erro de paralaxe.”
- “Aqueles dois fizeram uma aposta. Depois de lerem a temperatura, um teve que dar uma moeda ao outro.”
- “Tomara que venha sombra. De tanto subir a temperatura estou a ficar com tonturas.”
Por vezes, as pessoas mais velhas que por ali paravam lembravam-se de pérolas do nosso adagiário, arrecadadas nas espaçosas gavetas da sua memória: “Cigarra cantou, calor chegou.”, “Ande o calor por onde andar, pelo Santo António, há-de chegar.”, “Ande por onde andar o Verão, há-de de vir no S. João.”, “No tempo quente, refresca o ventre.”, “Nem no Inverno sem capa, nem no Verão sem cabaça.”, “No amor e no calor, não metas o cobertor.”.
Hoje tudo isso acabou. Ali já não se vendem nem máquinas Singer de costura ou de tricotar, nem tão-pouco as meninas vão aprender a bordar ou a tricotar, que as virtudes que é suposto devam ter, já não são estas.
Do termómetro apenas resta o sítio onde foi útil aos transeuntes desde o Tempo da Outra Senhora.
Com o desaparecimento do termómetro da Singer, a cidade ficou mais pobre. Daí que me atreva a fazer uma sugestão. Fico à espera que na mesma zona apareça uma entidade privada com disponibilidade para comprar um termómetro de parede, de preferência Singer e o aplique na sua frontaria. Seria uma atitude louvável e que lhe traria prestígio, visto com isso prestar um serviço público. A população agradece e fica à espera.

domingo, 17 de setembro de 2017

FRANCO-ATIRADOR. Textos de cidadania de um alentejano de Estremoz.


Aspecto da assistência. Fotografia de Luís Guimarães.

O EVENTO EM SI

Pelas dezasseis horas do passado dia 2 de Setembro, teve lugar na Igreja dos Congregados, em Estremoz, o lançamento e apresentação do livro “FRANCO-ATIRADOR. TEXTOS DE CIDADANIA DE UM ALENTEJANO DE ESTREMOZ”, evento que contou com a participação de mais de uma centena de pessoas.
O painel de apresentação do autor e do livro foi constituído por Fernando Mão de Ferro (da editora Colibri), Hernâni Matos (autor), Francisca Matos (prefaciadora), António Júlio Rebelo (posfaciador) e Armando Alves (autor da capa), tendo-se registado intervenções dos quatro primeiros.
No local esteve ainda patente ao público uma exposição de exemplares de figurado e de arte conventual de Estremoz, referidos no livro.

PALAVRAS DO AUTOR

MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES:

Procurarei ser breve, tanto quanto possível. Começarei pelos agradecimentos.
Em primeiro lugar, quero agradecer ao Pároco de Santo André Dr. Fernando Afonso, ter-me possibilitado a apresentação do livro na Igreja dos Congregados, que além de estar situada no centro da cidade é um espaço excelente, já que é amplo, com muita dignidade e onde se respira espiritualidade. Tudo isso são factores favoráveis à apresentação do livro neste local. Mas há duas outras razões e qualquer delas tem a ver com o exercício da cidadania, que é o tema central do meu livro.
Em 1º lugar, a atitude de resistência dos frades oratorianos que em 1808, no decurso da 1ª invasão francesa, esconderam no Convento dos Congregados, a imagem da Rainha Santa Isabel trazida da sua Capela no Castelo e que assim escapou ao saque dos franceses.
Em 2º lugar, a Igreja dos Congregados incompletamente construída nos anos 60 do séc. XX, simboliza a determinação da comunidade local em ressarcir a Paróquia de Santo André do derrube da Igreja homónima, a mando do Estado Novo, que acabaria por morrer de velho.
São factos importantes no meu registo de memória e que por isso constam no livro. Este, insere entre outros os seguintes textos profusamente ilustrados:
- Senhor Jesus dos Passos de Estremoz
- As Festas da Exaltação da Santa Cruz de 1963
- Rainha Santa Isabel, Padroeira de Estremoz
- Santo António na Tradição Popular Estremocense
Daí que à semelhança do que aconteceu em 2012 com o lançamento do livro anterior, me tenha lembrado de expor na Igreja dos Congregados, exemplares de figurado e de arte conventual de Estremoz, referidos naqueles textos.
Como artesão das palavras foi a maneira encontrada de fazer ponte com artesãos do barro e da arte conventual que são os melhores embaixadores desta terra transtagana, aquém e além fronteiras. Também eles, vivos ou finados, são heróis que exalto ao longo do livro, pelo fascínio que exercem em mim, as técnicas ancestrais que dominam e lhe brotam miraculosamente à flor das mãos.
Em segundo lugar, quero agradecer ao editor Fernando Mão de Ferro da Colibri, editora prestigiada que tem um projecto editorial com o qual me identifico. Foi a ele que submeti para apreciação o projecto de edição do presente livro, o qual foi aceite. Daí estarmos hoje aqui.
Em terceiro lugar, quero agradecer ao pintor Armando Alves, amigo de longa data e figura cimeira da cultura nacional e com obra espalhada pelas sete partidas do Mundo. “Armando Alves, Inventor de Céus e Planícies” no dizer de José Saramago, está indissociavelmente ligado à História das Artes Plásticas em Portugal e revolucionou as Artes Gráficas. Uma capa do Armando é uma obra de arte. Daí que lhe tenha pedido para criar a capa, ao que ele acedeu sem hesitação alguma. O resultado é bem conhecido e nele está magistralmente expresso o Alentejo vermelho das terras de barro de Estremoz, gravado não só na sua como na nossa alma e, que sob a direcção atenta e calorosa do seu olhar de visionário, as suas mãos sabem com mestria transmitir a tudo aquilo que faz. A capa do Armando elevou o livro a uma dimensão superior àquela que já tinha. Estou-lhe infinitamente grato por isso.
Em quarto lugar, quero agradecer aos professores Francisca de Matos e António Júlio Rebelo, duas figuras prestigiadas da comunidade local, bem conhecidas nos meios culturais. São também amigos de longa data, companheiros de trilhos culturais, com os quais é gratificante caminhar. Tanto um como o outro me conhecem bem e à minha escrita. Daí que tenha sido inescapável convidá-los a prefaciar e a posfaciar o meu livro. À semelhança da capa do Armando, também o prefácio da Francisca de Matos e o posfácio do António Júlio Rebelo elevaram o livro a uma dimensão superior àquela que já tinha. Também a eles estou infinitamente grato por isso e à Francisca de Matos também a revisão apurada e meticulosa do texto.
Em quinto lugar, quero agradecer a presença de todos vós, a qual é para mim gratificante e me dá estímulo para continuar.

Permitam-me agora falar um pouco de mim e do livro.

Como cidadão tenho uma visão multifacetada do mundo e da vida, que me leva a interpretar a realidade sob múltiplos ângulos interdisciplinares, na procura assimptótica da verdade. A minha amiga Francisca Matos disse-me um dia: - “Nunca se sabe para onde é que o Hernâni vai disparar!”. De facto, tenho um espectro largo de interesses pessoais, os quais estão na origem das temáticas abordadas serem diversificadas e muitas vezes, uma síntese dialéctica das mesmas.
Na escrita assumi-me como franco-atirador, que como sabem é um atirador de precisão. As minhas armas são os abastados arsenais da minha memória e da minha biblioteca e arquivo pessoais, a que acresce a pesquisa incessante, a exigência de rigor e a minha maneira própria de dizer as coisas.
Como franco-atirador do pensamento e da acção, os meus disparos não são previsíveis, nem sequer condicionáveis e muito menos controláveis. No texto “Que farei com esta coluna?” inserido no livro, proclamo que: “Um franco-atirador é como um cavalo à rédea solta que cavalga em sintonia com a campina, por necessidade telúrica e onírica de exercitar a liberdade. Legitima-me a força da razão que emana da Terra-Mãe, do espírito dos antepassados e da missão inescapável de passar o testemunho.”
Como escritor, jornalista e blogger, utilizo a escrita como instrumento ao serviço do exercício do direito de cidadania. Os meus textos constituem reflexões sobre problemas individuais e sociais, visando potenciar uma tomada de consciência por parte daqueles com quem interactuo, numa perspectiva de gerar dinâmicas de intervenção e transformação social que tenham como referência os direitos humanos.
O livro agora dado à estampa, constitui uma compilação seleccionada de textos do período 1998-2017. São escritos que foram publicados na imprensa local e no blogue “Do Tempo da Outra Senhora”, bem como em catálogos de exposições, assim como textos utilizados na apresentação de livros e como comunicações em sessões de índole diversa, para as quais fui convidado. Cada texto está perfeitamente identificado não só em termos de temporalidade, como no que respeita a local de publicação ou divulgação.
Os jornais desaparecem com o tempo e ficam confinados aos arquivos de bibliotecas e de editores. Daí ser importante compilar textos jornalísticos em livro, o qual assegura a perpetuidade dos textos, que assim servem para memória futura do que foi uma época.
O tema central do livro é o exercício da cidadania nos seus múltiplos aspectos por parte de um português, que tem a particularidade de ser um alentejano de Estremoz.
Por uma questão de metodologia os textos foram sistematizados e ordenados em seis grandes capítulos que designei sucessivamente por: Da Identidade, Das Palavras, Da Sociedade, Do Património, Da Cultura, Da Memória.
“Da Identidade” reúne textos que têm a ver com a minha matriz identitária como português, alentejano e estremocense. “Das Palavras” congrega textos que são reflexões sobre o acto de criação do texto literário e do texto jornalístico, bem como sobre a deturpação da escrita, não só devido a “gralhas” como a modificação indevida de textos na redacção, sem autorização prévia do autor. “Da Sociedade” junta textos de crítica social e política, tanto a nível local como a nível nacional. “Do Património” agrega textos referentes à defesa do património cultural, material e imaterial a nível local.”Da Cultura” é uma compilação de textos da área cultural relativos à minha actividade neste domínio. “Da Memória” é integrado por textos “in memorian” de figuras destacadas da comunidade que já partiram e cuja evocação me é grata. 
A escrita vale por ela própria e por isso o livro foi inicialmente concebido sem ilustrações. Porém, a dada altura, pensei que seria positivo ilustrá-lo com imagens de Estremoz do passado, maioritariamente pertencentes ao meu arquivo pessoal. Em boa hora o fiz, porque o público é diversificado e a visualização de imagens reforça o conteúdo do livro, que todavia não fica refém delas.
O livro foi dedicado à Memória de Francisco Joaquim Batista (Chico das Metralhadoras), velho republicano que me iniciou no exercício dos direitos de cidadania. Foi também dedicado a Manuel Madeira (Cachila) cineasta e amigo de juventude que incentivou em mim o gosto pela escrita.
A partir de agora este livro é também vosso. Desejo-vos que tenham tanto prazer na sua leitura, como eu tive em redigir cada texto.
Obrigado a todos pela vossa amizade e também pela vossa presença.
Bem hajam!

 Painel de apresentação do autor e do livro. Fotografia de Maria Helena Figueiredo.
 Aspecto da assistência. Fotografia de Luís Guimarães.
 Aspecto da assistência. Fotografia de Luís Guimarães.
Aspecto da assistência. Fotografia de Luís Guimarães.
 Aspecto da assistência. Fotografia de Luís Guimarães.
 Aspecto da assistência. Fotografia de Pedro Fortunas.
 Aspecto da assistência. Fotografia de Pedro Fortunas.
 O autor autografando exemplares da obra. Fotografia de Pedro Fortunas.
 Aspecto da assistência. Fotografia de Pedro Fortunas.
Aspecto da cúpula da Igreja dos Congregados. Fotografia de Pedro Fortunas.
 Exemplares de figurado e de arte conventual de Estremoz, referidos no livro.
Fotografia de Pedro Fortunas.
Exemplares de figurado e de arte conventual de Estremoz, referidos no livro.
Fotografia de Pedro Fortunas.

Video de apresentação do livro. Realização de Pedro Fortunas.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

José Maldonado Cortes - 55 anos de alternativa


Texto da autoria do cavaleiro tauromático
José Maldonado Cortes e reproduzido com
devida vénia do  programa da Grande
Corrida de Toiros comemorativa dos
55 anos de alternativa do Mestre.


Jamais esperei que a vida fosse tão generosa comigo.
Há muito vim ao mundo.
Tive o enorme privilégio de poder dedicar a minha vida, à minha paixão, os cavalos e a Tauromaquia. Por esse mundo tauromáquico deambulei, Portugal, Espanha, França, México, Venezuela, Angola, Moçambique e até na distante e exótica Indonésia, pude tourear. Podia ter feito mais e melhor, no entanto as imperfeições eram muitas e acima de tudo, sempre dei o melhor de mim. Pude compartilhar experiências e conhecimentos adquiridos com muitos jovens que também tiveram o maior dos sonhos "ser toureiro". Juntos aprendemos, juntos evoluímos! José João Zoio, Rui Salvador, Frederico Carolino, José Luís Cochicho, João Cerejo ou o meu filho Francisco, foram alguns deles.
De tudo ficam para além das vivências, os amigos. Esses que a vida me foi colocando no caminho e para sempre ficaram.
Para o fim deixo o melhor do melhor, a família que Deus me deu. Para além da família de berço, uma mulher, dois filhos e cinco netos.
Que mais pode um homem de 79 anos querer no Outono da vida, do que estar rodeado de quem mais ama? 0 meu filho Francisco padecendo do doce veneno da tauromaquia, ambicionou organizar esta corrida para comemorar a longínqua data de 22 Abril de 1962, já lá vão 55 anos...
Não creio merecer tanto desta vida, mas não tive coragem de recusar. Voltar a vestir a casaca da minha alternativa 55 anos depois, para fazer as cortesias, ao lado do meu filho e sobretudo do meu querido neto, Francisco Jr., é para mim uma enorme honra e emoção. 0 meu neto toureará, por mim e para mim, um novilho nesta sua estreia e espero que única comparência nas arenas.
Não posso deixar de referenciar a presença do grande e amigo João Moura também ele acompanhado do seu filho Miguel, e todo o restante elenco que dará cor e emoção à corrida.
Obrigado a todos os que tornarão possível esta noite, que para sempre ficará na minha memória.
José Maldonado Cortes

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Exposição “Resende – ALENTEJO” em Estremoz


2006. Alentejo. Desenho a carvão. 170 x 170 cm. 

Foi inaugurada no passado dia 29 de Julho pelas 18 horas, no Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte, a exposição “Resende - ALENTEJO”, a qual ali estará patente ao público até ao próximo dia 28 de Outubro.
A exposição, fruto duma iniciativa do Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende em parceria com o Município de Estremoz, visa divulgar a obra de Júlio Resende em lugares relacionados com o seu itinerário biográfico e com o trabalho aí produzido, como é o caso do Alentejo. Foi o pintor que disse “…Desde os finais dos anos 40 o Alentejo entrara em mim de modo definitivo…”.
Na mostra estão patentes ao público, cinquenta e oito trabalhos que ilustram e testemunham a sua permanência no Alentejo, onde viveu e foi professor nos anos de 1949-50 na Escola de Cerâmica de Viana do Alentejo, criada em 1894. São trabalhos de múltiplos formatos e que recorrem às mais diversas técnicas: tinta-da-china, aguarela, tinta-da-china e aguarela, aguada e tinta-da-china, pastel, lápis, aguarela e lápis, lápis de cor, desenho a carvão e técnica mista. Cinquenta e três desses trabalhos pertencem ao acervo da Fundação, constituído por duas mil e quinhentas especímenes que o pintor reuniu ao longo da sua carreira e que permitem seguir o seu trajecto artístico desde os tempos de formação aos de consagração. Os restantes quatro trabalhos pertencem ao acervo da Galeria de Desenho do Museu Municipal de Estremoz, a quem foram doados através do pintor Armando Alves.  
De acordo com o Lugar do Desenho, “Rever Júlio Resende é rever uma obra que resume a arte do século XX. É urgente repensá-la e reenquadrá-la na história da arte moderna e contemporânea. O centenário do nascimento do pintor é o momento certo para esta acção.”
Com vista à exposição, os organizadores editaram um excelente catálogo de 56 páginas com Desenho Gráfico de Armando Alves, o qual reproduz e identifica cada um dos cinquenta e oito trabalhos expostos. O catálogo abre com o texto “EXPOSIÇÃO RESENDE ALENTEJO” subscrito pelo Presidente do Município de Estremoz, a que se segue um outro sob a epígrafe “Celebrar e Repensar Júlio Resende (1917-2011) no Centenário do seu Nascimento”, da responsabilidade do Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende. Para além da Biografia de Júlio Resende, o catálogo inclui ainda um conjunto de pensamentos do artista, reveladores da sua ligação ao Alentejo,
Seria injusto não enumerar aqui todas as instituições que duma forma ou de outra viabilizaram a presente Exposição. Temos: - ORGANIZAÇÃO: Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende e Município de Estremoz. - APOIO INSTITUCIONAL: Município de Gondomar e Gondomar Cultura. - MECENAS: Associação Comercial do Porto, BPI, Banco Finantia, Bial, Central Lobão, Frezite, Millenium BCP e Telles de Abreu - Advogados. - APOIO: Fundação Calouste Gulbenkian e Misericórdia do Porto. - SEGUROS: HISCOX – Seguros de Arte.

1948. Alentejo. Técnica mista. 16,5 x 23,2 cm.
1949. Alentejo. Tinta-da-china. 22,0 x 16,0 cm.
1949. Mulher Alentejana. Aguarela. 17,5 x 14,0 cm.
1949. Pastor Alentejano. Tinta-da-china. 16,0 x 17,0 cm.
1949. Alentejo. Tinta-da-china. 16,5 x 14,5 cm.
1949. Alentejo. Tinta-da-china. 16,0 x 15,0 cm.
1949. Alentejo. Aguarela. 17,5 x 23,0 cm.
1949. Alentejo. Aguarela. 17,0 x 20,0 cm.
1949. Alentejo. Aguarela. 17,0 x 20,0 cm.
1949. Alentejo. Tinta-da-china. 22,5 x 17,5 cm.
1949. Aguadeiro. Técnica Mista. 30,2 x 18,1 cm.
1949. Alentejo. Tinta-da-china e aguarela. 33,5 x 22,5 cm.
1949. Alentejo. Tinta-da-china e aguarela. 17,0 x 22,0 cm.
1949. Alentejo. Técnica mista. 16,0 x 22,0 cm.
1949. Alentejo. Pastel. 16,5 x 23,0 cm.
1949. Alentejo. Aguarela. 17,0 x 22,3 cm.
1949. Alentejo. Aguarela. 22,1 x 16,9 cm.
1949. Alentejo. Aguarela e tinta-da-china. 33,0 x 22,5 cm.
1949. Alentejo. Aguarela. 22,6 x 16,6 cm.
1949. Alentejana. Tinta-da-china. 15,5 x 10,3 cm.
1949. Conversa na fonte. Aguarela. 22,5 x 17,0 cm.
1949. Alentejo. Aguada e tinta-da-china. 16,5 x 22,6 cm.
1949. Dois homens. Técnica mista. 6,7 x 23,3 cm.
1949. Bica de água. Técnica mista. 16,8 x 22,5 cm.
1949. Alentejo. Aguarela. 16,3 x 20,0 cm.
1949. Homem e mula. Técnica mista. 16,5 x 21,5 cm.
1949. Alentejo. Tinta-da-china e aguarela 17,0 x 23,0 cm.
1949. Trabalho de barro. Técnica mista. 17,6 x 23,9 cm.
1949. Mulher na olaria. Técnica mista. 17,5 x 22,6 cm.
1949. Depois da apanha da azeitona. Técnica mista. 16,1 x 22,7 cm.
1949. Carro. Técnica mista. 15,6 x 23,7 cm.
1949. Alentejano. Tinta-da-china. 22,0 x 17,0 cm.
1949. Homem montado em mula. Técnica mista. 22,2 x 15,0 cm.
1949. Mulher das bilhas. Aguarela. 25,0 x 17,5 cm.
1949. À beira do tanque. Técnica mista. 21,3 x 17,5 cm.
1949. Momento de conversa. Aguarela e lápis. 17,2 x 23,1 cm.
1949. Alentejo. Tinta-da-china. 15,5 x 19,2 cm.
1949. Trade na Bica. Técnica mista. 22,4 x 16,7 cm.
1949. Recanto. Lápis de cor. 17,0 x 23,0 cm.
1949. Homem e touro. Aguarela. 16,7 x 23,0 cm.
1949. Homem e cavalo. Aguarela. 16,0 x 21,8 cm.
1949. Homem com bilha. Aguarela. 22,2 x 6,5 cm.
1949. Homem da manta. Aguarela. 16,0 x 23,0 cm.
1949. De volta a casa. Aguarela. 16,0 x 22,2 cm.
1949. Três mulheres. Aguarela. 17,0 x 22,5 cm.
1949. Homens e mulas. Tinta-da-china e aguarela. 16,5 x 22,0 cm.
1950. Pastor – Alentejo. Técnica mista. 16,0 x 22,0 cm.
1950. Na Fonte. Técnica mista. 17,5 x 21,5 cm.
1950. Alentejo. Lápis. 16,5 x 19,0 cm.
1949. Animal. Aguarela. 17,0 x 20,0 cm.
1949. Fonte da Praça. Aguarela. 15,0x 20,6 cm.
1949. Fim de tarde na fonte. Aguarela. 16,0 x 22,0 cm.
2006. Alentejo. Desenho a carvão. 170 x 170 cm.
1949. Viana do Alentejo. Desenho a carvão. 152,0 x 101,0 cm.
1950. Tema Alentejano III. Tinta-da-china e aguarela. 16,0 x 20,0 cm.
Galeria de Desenho do Museu Municipal de Estremoz.
1950. Tema Alentejano II. Carvão. 16,0 x 20,0 cm.
Galeria de Desenho do Museu Municipal de Estremoz.
1950. Tema Alentejano I. Tinta-da-china. 16,0 x 20,0 cm.
Galeria de Desenho do Museu Municipal de Estremoz.
1983. Figura alentejana com cavalo. Tinta-da-china. 65,0 x 50,0 cm.
Galeria de Desenho do Museu Municipal de Estremoz.
Júlio Resende, a sua mulher Maria da Conceição e a filha Marta,
 no decurso da sua estadia em Viana do Alentejo no biénio 1949-50.