quinta-feira, 5 de abril de 2018

Bons filhos, à casa tornam


Um aspecto do acesso à Capela da Rainha Santa Isabel após os
gradeamentos oitocentistas das janelas laterais terem sido
repostos pelos serviços municipais no passado dia 22 de Março,
na sequência de terem sido objecto de tentativa de furto,
no dia 9 do mesmo mês. Fotografia de Hugo Silva.

Sob a epígrafe “Valha-nos a Rainha Santa!”, publiquei uma crónica no jornal E nº 196, de 22 de Março transacto, na qual dava conta de ter saído gorada a tentativa de roubo do gradeamento das janelas que ladeiam o portão de acesso à Capela da Rainha Santa, junto à Torre da Menagem do Castelo de Estremoz, ao início da tarde do anterior dia 9 de Março. Informei ainda que, por precaução, os gradeamentos tinham ficado à guarda da Igreja de Santa Maria, até à sua reposição no local onde foram alvos de tentativa de furto por parte dos amigos do alheio.
O número 196 do jornal E chegou às bancas às 9 horas e os trabalhadores do Município repuseram o gradeamento nesse mesmo dia, cerca das 14 horas. Uma pessoa que eu cá sei, diz que não lê a imprensa local. Se é assim ou não, não sei. Agora que tem alguém que a leia por ele, lá isso tem. Daí a reposição do gradeamento só ter demorado 13 dias, facto que nos surpreendeu a todos, já que têm ocorrido situações que podem ser resolvidas num ápice e demoram meses. E ainda há quem duvide da eficácia do papel pedagógico da imprensa livre e independente.
Mas há mais
A reposição do gradeamento foi o mínimo que poderia ter sido feito, já que o mesmo carece de urgente protecção contra a corrosão, uma vez que a sua cor verde municipal se tem vindo a travestir progressivamente na ferrugenta cor castanha do óxido de ferro.
De salientar ainda que o topo esquerdo do gradeamento férreo está mutilado. Também a marmórea empena esquerda do portão está encimada por um fogaréu mutilado. Igualmente o topo esquerdo da janela esquerda está despojado do seu elemento decorativo. Marcas do tempo? Talvez não. Apenas incúria de quem deveria zelar pelo património construído e não o faz.
Perguntarão alguns:
- Quem é que devia recuperar isto tudo e não o faz? A Paróquia? A Câmara? Os Monumentos Nacionais?
Não levarão a mal a minha resposta:
- Eu sei, mas não digo.
O Largo de Dom Dinis
Existe a convicção generalizada que a PSP local não tem jurisdição no Largo de Dom Dinis, bem como na Rua da Rainha (Antiga Rua da Cadeia). Em abono desta tese, a permanente violação da sinalização de estacionamento nestes dois locais. Mais precisamente no lado esquerdo da Igreja de Santa Maria e ao longo da rua que conduz às Portas da Frandina.
Por ali paira gente de colarinho alto e rei na barriga, que se considera dona disto tudo, pelo que no seu entendimento quem tem de cumprir as regras de trânsito é o Zé-Ninguém.
No passado domingo de Páscoa, depois de almoço, a circulação automóvel naquela zona era um quebra-cabeças, como se estivéssemos num lugarejo remoto do Terceiro Mundo, onde se invocarmos regras de trânsito, estamos sujeitos a que nos perguntem:
- O que é isso?
Embora alguns disso estejam erroneamente convencidos, o Largo de Dom Dinis não é o núcleo central do Centro Histórico de Estremoz. É uma coutada da EDP que a seu bel-prazer e como tem sido prática corrente no resto da cidade, conspurcou a alvura da frontaria das casas com toda aquela execranda cablagem negra. Para além disso, a zona é também o parque de estacionamento do Grupo Pestana. Perguntarão alguns:
- E a Câmara?
A minha resposta só pode ser uma:
- Está bem, muito obrigado.
Cronista do E, defensor do património e tudo.
(Texto publicado no jornal E nº 197, de 05-04-2018)