domingo, 31 de dezembro de 2017

Más-línguas contra a imprensa local


Conversa de comadres. José Lutzenberger (1926-2002).

Estremoz tem dois jornais: o “E” e o “Brados do Alentejo”. Cada um com os seus leitores e colaboradores, o que não impede que haja inúmeras pessoas como eu, que são leitoras tanto de um como do outro. E não é caso para menos, já que sendo ambos quinzenários, saem em semanas alternadas, pelo que cada um “está em cima” dos seus próprios acontecimentos.
No meu caso sou até colaborador dos dois, não só pelo prazer da escrita e pelo dever cívico de escrever, mas também porque me revejo no Estatuto Editorial de qualquer deles. São jornais plurais onde sobressai a procura da actualidade e do rigor da informação, tanto local como regional. São jornais que têm os seus próprios colunistas, cada um na sua própria trincheira, defendendo os valores que integram o seu ideário e que por lhe serem gratos, procuram legitimamente divulgar junto dos leitores.
Numa sociedade democrática é insubstituível o papel informativo e formativo duma imprensa livre e insubmissa, que tanto rejeita mordaças e grilhões, como vendas nos olhos. Daí que como corolário único dessa postura cívica, só uma atitude jornalística era possível, face à atitude do Município de, em boa hora, ter apresentado a candidatura da “Produção de Figurado em Barro de Estremoz”, visando a sua inscrição na “Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade”. Foi assim que cada um dos jornais, cada um à sua maneira, desde sempre foi relatando os comunicados de imprensa do Município, dando conta dos diversos passos duma candidatura que para nosso gáudio se foi consolidando no decurso do tempo, desmentindo os vaticínios malévolos de alguns profetas da desgraça.
Todavia há quem por desdém ou por soberba, grite aos quatro ventos: - “Jornais? Nem os lemos.”. Fazendo fé que assim seja, o que não é certo, devem ter quem os leia por eles e que omitiu que os jornais locais, desde sempre cobriram jornalisticamente aquela candidatura. Carece assim de qualquer sentido e é completamente despropositado, virem agora a terreiro, clamar que antes da vitória da candidatura, a imprensa local não se referiu a ela. Trata-se duma atoarda soez que cabe aqui denunciar.
Pela parte que me cabe, redigi textos sobre a candidatura que subscritos com o meu nome, foram publicados no jornal “E” e não fui o único. Para além disso, desde 2014 e durante 70 quinzenas, mantive no jornal “Brados do Alentejo” uma secção onde, como franco-atirador e guerrilheiro ao serviço de causas nobres, pus o meu verbo e o resto da gramática ao serviço da candidatura dos Bonecos de Estremoz a Património Cultural Imaterial da Humanidade. Essa secção foi uma trincheira e uma tribuna que visou potenciar e levar a bom termo, através do seu contributo, a candidatura com a qual desde sempre me identifiquei, já que os bonecos de Estremoz me estão na massa do sangue.